terça-feira, 9 de novembro de 2010

DIA 29 DE OUTUBRO – EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE CAMPO DO BRITO



O coronel Porfirio de Brito se apossou de uma faixa de terras que ficou conhecida como Campo do Brito Velho. Uma epidemia de cólera morbus fez com que aquela população, de Campo do Brito Velho, tivesse de mudar-se para a vila que passou a ser conhecida por Brito, isto porque a maioria dos seus habitantes era descendente do velho Porfirio de Brito, que também morreu vitimado pela referida moléstia, sendo que também aquelas terras eram campos onde criavam ovelhas, cabras e vacas.

Após essa mudança da população de Campo do Brito Velho para Brito, houve a necessidade de construir uma capela em louvor a Nossa Senhora da Boa Hora, pois sua capela havia sido abandonada em virtude da epidemia. Foi quando por determinação do Bispo da Bahia, D. Romualdo Antônio de Seixas Barroso, a quem éramos eclesiasticamente subordinados, aqui chegou o padre Eugênio Lopes da Costa. O mesmo exigiu que a título de penitência todos os homens carregassem uma pedra para a construção da igreja. Em 1965 foi nomeado o Padre Honório Fiel da Seguimarina. Logo após, o padre Felício Miranda Lima, que muito fez pela construção da igreja, deixando pronta a nave, e faltando somente a frente e as torres.

Finalmente foi mandado para Campo do Brito, o Padre Francisco Freire de Menezes, esse havia se ordenado recentemente. Aqui chegou se apresentou sendo recebido pela população que logo manifestou ardente desejo de tê-Io como seu vigário. Assim, foi por decreto episcopal do referido Bispo; nomeado vigário de Campo do Brito, cuja posse se deu em fins de 1891.

O padre Freire dedicou-se de corpo e alma à cidade e ao seu povo, começando uma nova fase na história de Campo do Brito. Sua primeira preocupação foi a conclusão da Igreja. Logo vieram problemas com abastecimento d'água. Padre Freire providenciou a presença de dois missionários capuchinhos que diante de uma imensa multidão falou das necessidades da abertura em forma de mutirão, de uma fonte que pudesse oferecer ao povoado, água captada por ocasião das chuvas.

A Santa Missão foi encerrada com mais de cinqüenta homens que de picareta, enxadas, gamelas e bangüês, levantados, saudaram o padre Freire e os capuchinhos, deixando o tanque depois conhecido como Tanque Velho, pronto a espera das chuvas. Em outra empreitada foi marcada com o mesmo critério, a abertura do Tanque Novo, que muito contribuiu para amenizar os sofrimentos nosso povo. Padre Freire resolveu criar uma banda de música, a fim de abrilhantar as comemorações alusivas a passagem do século. Lyra Popular Nossa Senhora da Boa Hora.

Todos festejam a chegada de um novo século, felizes ao lado de um pastor de almas cheio de amor e, muitas virtudes acumuladas em favor de uma terra que mais tarde o

consagraria como líder não só espiritual como também político. Politicamente Campo do Brito se constitua num celeiro de eleitores a serviço de meia dúzia de aproveitadores costumazes. Padre Freire começou a plantar a semente da independência, pois em suas pregações convocava a todos, para a luta em prol da emancipação da terra que o acolhera, quebrando os grilhões da submissão a Itabaiana. Finalmente a conclusão da igreja chegou ao fim, estava vencido mais um desafio.

Agora a meta de padre Freire era elevar Campo do Brito à categoria de cidade. Dando aos habitantes sua emancipação política. Era uma luta muito difícil, afinal estava em jogo o interesse de Campo do Brito, não de grupos ou facções. Padre Freire começou a reunir em tomo de si todos os militantes políticos para assumirem um compromisso solene com a finalidade de juntos lutarem pela maioridade de Campo do Brito.

Após muita persistência do padre Freire junto ao presidente General José de Siqueira de Menezes em busca do cumprimento de promessas feitas antes das eleições aos britenses, já que o mesmo teve votação unânime em Campo do Brito. Finalmente em 29 de outubro de 1912 a lei N°: 624 elevava Campo do Brito a categoria de cidade, ficando emancipada politicamente quebrando desta forma os grilhões que pesavam sobre nos impostos por Itabaiana. A comemoração durou por mais de dois dias.

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